Queremos ser donos da nossa vida e do nosso corpo para discernir no Espírito. Dominando o corpo ao qual amamos, nós tornamo-nos livres para buscar o que Deus quer de nós. Livres para amar mais, para entregar mais, para não sermos mesquinhos.
No fundo, não queremos ser arrastados pelos nossos instintos mais elementares. Queremos que tudo pertença a Deus. Queremos aprender a renunciar para ser mais de Deus, para pertencer a Ele por inteiro. Mas queremos fazer isso como alegria. Não adianta viver o sacrifício com cara de tristeza.
Jesus pede-nos que ninguém perceba que jejuamos. Porque só Deus tem que ver isso. E nós temos de aprender a tirar o bem do mal, o bom da carência, da renúncia.
O sacrifício tem que produzir em nós a alegria interior. A renúncia é só um símbolo que nos mostra o valor de dizer “não”. E, ao fazê-lo, nós alegramo-nos por cada pequena vitória.
Mas se dizer “não” a algo ruim parece evidente, fácil, até saudável, renunciar a algo bom pode nos parecer uma perda, o que nos entristece. Na verdade, fazemos isso para alcançar um bem maior.
Renunciamos por amor a Deus, ao próximo e a nós mesmos. Na renúncia, crescemos e alegramo-nos com esses pequenos passos que nos custam. É por tudo isso que este tempo Quaresmal é alegre.
O amor faz da renúncia um trampolim para o céu. Só assim há plenitude. No caminho, faremos que o cansaço seja descanso e as dores, motivos de esperança. Porque o cristão é assim. Ao viver enamorado de Cristo, ele dá um sentido a tudo o que faz e a tudo o que sofre, a tudo o que vive e sonha. É a capacidade de deixar que Deus veja por meio do nosso coração.
Não renunciamos porque a vida pode-nos fazer pecar. Renunciamos porque nos educamos para a vida. E a vida sempre, ainda que às vezes não queiramos, tem uma parte importante de renúncia, de negação de si mesmo, de esvaziamento para deixar-nos preencher por Deus.
"Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me" - Marcos 8, 34
Nós queremos Criar Asas...

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