"E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho. Vem brincar comigo, estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho.Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo aos teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativares, nós precisaremos um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
Estávamos no oitavo dia do meu acidente. Quando bebia a última gota de água, ouvi a história do vendedor.
- Ah! disse eu ao principezinho, são bem bonitas as tuas lembranças, mas eu ainda não consertei o meu avião, não tenho mais nada para beber...
- A minha amiga raposa disse-me...
- Meu caro, não se trata mais da raposa!
- Porquê?
- Porque vamos morrer de sede...
Ele não compreendeu o meu raciocínio, e respondeu:
- É bom ter tido um amigo, mesmo se vamos morrer. Eu estou muito contente de ter tido a raposa por amiga...
- Ele não avalia o perigo, disse eu. Não tem nunca fome ou sede. Um raio de sol lhe basta...
Mas ele olhou para mim e respondeu ao que eu pensava:
- Tenho sede também... procuremos um poço...
- Eu fiz um gesto de desânimo: é absurdo procurar um poço ao acaso, na imensidão do deserto. No entanto, pusemo-nos a caminho."
O Principezinho, Antoine de Sain-Exupéry
Como o Principezinho descobriu, a amizade é algo que se constrói, que nasce e cresce aos poucos, em pequenos gestos e partilhas, com os quais nos "cativamos" uns aos outros, passamos a conhecer-nos pelo que somos e não pelo que parecemos. Pequenos laços que nos vão unindo até serem tantos que não se rompem e que tornam cada amizade única e especial.
Por amor a estes laços e a quem eles nos unem aventuramo-nos a fazer mais, ir mais longe e até suportar mais do que se pensássemos só em nós. E, assim:
"Tu tornas-te responsável por aquilo que cativas"
Nós queremos Criar Asas...
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