sexta-feira, outubro 11, 2013

Maravilhas

"Certa vez, quando tinha seis anos, vi num livro sobre a Floresta Virgem, "Histórias Vividas", uma imponente gravura. Representava uma jibóia que engolia uma fera. Eis a cópia do desenho. Dizia o livro: "As jibóias engolem, sem mastigar, a presa inteira. Em seguida, não podem mover-se e dormem os seis meses da digestão."Refleti muito então sobre as aventuras da selva, e fiz, com lápis de cor, o meu primeiro desenho. O meu desenho número 1 era assim:
Mostrei a minha obra-prima às pessoas grandes e perguntei se o meu desenho lhes fazia medo. Responderam-me: "Por que é que um chapéu faria medo?" O meu desenho não representava um chapéu. Representava uma jibóia a digerir um elefante.

As pessoas grandes aconselharam-me deixar de lado os desenhos. (…) Foi assim que abandonei, aos seis anos, uma esplêndida carreira de pintor. Eu fui desencorajado pelo insucesso do meu desenho número 1 e do meu desenho número 2. As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas, e é cansativo, para as crianças, estar sempre a explicar. Tive pois de escolher uma outra profissão e aprendi a pilotar aviões. Voei, por assim dizer, por todo o mundo. E a geografia, é claro, serviu-me muito. Sabia distinguir, num relance, a China e o Arizona. É muito útil, quando se está perdido na noite.
Tive assim, no correr da vida, muitos contatos com muita gente séria. Vivi muito no meio das pessoas grandes. Vi-as muito de perto. Isso não melhorou, de modo algum, a minha antiga opinião. Quando encontrava uma que me parecia um pouco lúcida, fazia com ela a experiência do meu desenho número 1, que conservei sempre comigo. Eu queria saber se ela era verdadeiramente compreensiva. Mas respondia sempre: "É um chapéu".
Então eu não lhe falava nem de jibóias, nem de florestas virgens, nem de estrelas. Punha-me ao seu alcance. Falava-lhe de bridge, de golfe, de política, de gravatas. E a pessoa grande ficava encantada de conhecer um homem tão razoável." - retirado de O Principezinho


Por vezes não somos capazes de nos maravilharmos com as coisas mais simples. Cegos pelo que é razoável, fechamos os olhos mesmo sem darmos conta. Deus está na simplicidade de cada palavra e de cada gesto. Queiramos por isso sair do mundo banal, sem cor nem sabor que nós próprios criamos e abrir os olhos para a beleza das coisas que Deus tem para nos oferecer.



           Nós queremos Criar Asas...

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